Três horas da manhã.
Alguém passou na rua com uma lata de spray.
Em cima do criado-mudo o tique-taque infernal do relógio,
No outro, um ruído muito estranho.
Abro os olhos. Nada vejo.
Olho pra cima, olho pro lado, olho pro outro, olho pra baixo. Nada vejo.
Fecho os olhos.
O ruído continua. Além do: tique-taque, tique-taque.
Levanto da cama, ligo a luz, abro os olhos.
Olho pra porta, olho pra janela. Nada vejo.
Passo pela sala, pela cozinha, chego ao banheiro. Nada vejo.
Volto ao quarto.
Deito na cama, desligo a luz, fecho os olhos.
“Tique-taque, tique-taque...”
Abro os olhos. Nada vejo.
Olho pra cima, olho pro lado, olho pro outro, olho pra baixo. Nada vejo.
Ligo a luz, olho pra porta, olho pra janela. Nada vejo.
Passo pela sala, pela cozinha, chego ao banheiro. Nada vejo.
Volto ao quarto.
Deito na cama. Levanto novamente.
Abro o criado-mudo
O que vejo?
O “tique-taque, tique-taque...” do meu relógio de pulso.
Pego os relógios,
Passo pela sala, pela cozinha, chego ao banheiro,
E os deixo lá.
Volto ao quarto.
Deito na cama...
...E durmo.
Gostei do poema guri...um bom retrato de nossas madrugadas vazias, uma busca talvez por algo que queremos, que perdemos, é nossa existencia gritando por uma compreensão de algo...gostei mesmo do poema guri...té mais.
ResponderExcluir