Quem sou eu. Esta é a última pergunta que me faria nesse momento.
Como é possível para um autor esquecer as palavras triviais, perder a capacidade de dar início a uma estória ou, o que é ainda pior, de dar continuidade ao que já está devidamente estruturado e alicerçado?
Agora me diz você: como posso eu definir quem sou, o que sou, se não sou capaz de fazer o que julguei ser a minha vida? Perco agora a oportunidade que desde sempre desejei: firmar-me como autor, como um dentre os melhores.
Estava escrevendo uma novela, inspirada num clássico, mas não suportei a pressão, não me habituei ao ritmo do trabalho, o que é para mim algo trepidante, algo que sinceramente me mete medo.
O veterano autor, com quem eu escrevia, insistiu veementemente para que eu permanecesse com a parceria, mas, quando viu que de nada adiantaria suas súplicas, incumbiu-se de levar adiante o projeto, o que deveras me conforta.
Seu talento, sim, é indiscutível. Escreve com uma destreza e rapidez imprescindível. Sei disso por conta de algumas vezes, em que eu estava inseguro, e então sugeri que escrevêssemos juntos em sua casa. Lá, pude ver a imensidão do seu talento imergindo pela tela do seu computador, onde rapidamente os diálogos eram construídos com imponente formosura.
Não o invejo pelo talento, apenas o admiro bastante. Pois, como diria o mestre Saramago, em seu livro A Jangada de Pedra:
“Dificílimo ato é o de escrever, responsabilidade das maiores.(...)
Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(...)”.
Destituído de minhas honras, encerro-me por aqui!
Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(...)”.
Destituído de minhas honras, encerro-me por aqui!
É fogo guri...deve continuar escrevendo sempre...claro...se ainda sentir prazer nisso...acho que temos todos muita coisa a falar, e infelizmente ta todo mundo falando ao mesmo tempo, e poucos são os dotados da maravilhosa arte de escutar.
ResponderExcluirmas é como diia raul, "Antes de ler o livro que o mestre lhe deu, voce tem que escrever o seu".
"Que abominável homem das neves sou eu?", partiu de uma história que realmente aconteceu. Um autor da Globo (hoje renomado), passou por isso no início de sua carreira.
ResponderExcluirAbraço.