terça-feira, 3 de agosto de 2010

Que abominável homem das neves sou eu?


Quem sou eu. Esta é a última pergunta que me faria nesse momento.

Como é possível para um autor esquecer as palavras triviais, perder a capacidade de dar início a uma estória ou, o que é ainda pior, de dar continuidade ao que já está devidamente estruturado e alicerçado?

Agora me diz você: como posso eu definir quem sou, o que sou, se não sou capaz de fazer o que julguei ser a minha vida? Perco agora a oportunidade que desde sempre desejei: firmar-me como autor, como um dentre os melhores.

Estava escrevendo uma novela, inspirada num clássico, mas não suportei a pressão, não me habituei ao ritmo do trabalho, o que é para mim algo trepidante, algo que sinceramente me mete medo.

O veterano autor, com quem eu escrevia, insistiu veementemente para que eu permanecesse com a parceria, mas, quando viu que de nada adiantaria suas súplicas, incumbiu-se de levar adiante o projeto, o que deveras me conforta.
Seu talento, sim, é indiscutível. Escreve com uma destreza e rapidez imprescindível. Sei disso por conta de algumas vezes, em que eu estava inseguro, e então sugeri que escrevêssemos juntos em sua casa. Lá, pude ver a imensidão do seu talento imergindo pela tela do seu computador, onde rapidamente os diálogos eram construídos com imponente formosura.

Não o invejo pelo talento, apenas o admiro bastante. Pois, como diria o mestre Saramago, em seu livro A Jangada de Pedra:

“Dificílimo ato é o de escrever, responsabilidade das maiores.(...)
Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(...)”.


Destituído de minhas honras, encerro-me por aqui!

2 comentários:

  1. É fogo guri...deve continuar escrevendo sempre...claro...se ainda sentir prazer nisso...acho que temos todos muita coisa a falar, e infelizmente ta todo mundo falando ao mesmo tempo, e poucos são os dotados da maravilhosa arte de escutar.
    mas é como diia raul, "Antes de ler o livro que o mestre lhe deu, voce tem que escrever o seu".

    ResponderExcluir
  2. "Que abominável homem das neves sou eu?", partiu de uma história que realmente aconteceu. Um autor da Globo (hoje renomado), passou por isso no início de sua carreira.

    Abraço.

    ResponderExcluir