Às vezes fico me perguntando como o preconceito das pessoas não permite que elas enxerguem a realidade dos fatos – mesmo diante dos próprios olhos. Muitas delas pensam que nós é que optamos pelo mais difícil. Acreditam entusiasticamente que somos nós mesmos que temos livre escolha ao decidir ser homossexual, ou não. Livre escolha na DECISÃO da sexualidade? É algo seguramente inacreditável. Insistem em acreditar que optaríamos em ser execrados, malquistos e banidos de nossa sociedade. Será que não enxergam que esta é uma sexualidade cheia de formas complexas? Uma sexualidade que tem prazer em nos conferir desalento, solidão e uma verdadeira porção de transtornos psicológicos, crises de identidade e de existência?
Você acredita nisso? Acredita quando digo que a homossexualidade nos transfere toda essa dor e sofrimento? Se acredita, não deveria! Pois é equívoco meu. Não é a homossexualidade que tem o poderio de nos ceder essa lastimável situação de vida! Mas sim as pessoas que aplaudem de pé a Santa Ignorância, ou os obstinados que insistem em tapar os olhos para a ‘realidade verdadeira’. É culpa da falta de conhecimento, da falta de instrução, e é culpa do preconceito, também. As pessoas precisam tomar consciência de que “minha sexualidade” eu não escolho como quem decide o que comer, onde comer, e a que hora comer. Sexualidade não é decisão, não é opção – como, aliás, costumam definir –, é condição! Não se decide... se nasce homossexual!
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Outra coisa que essa gente de pensamento tacanho não discerne é que o homossexual não é apenas sexo. Eles tem por hábito, associar o gay apenas à prática sexual, quando na verdade vai muito além disso. Não conseguem imaginar o homossexual como uma pessoa que ama e tem sentimentos. Preferem bradar o seu desrespeito, a sua indiferença, a sua incredulidade dizendo que os homossexuais são sujos e depravados. Quando, na verdade, os que compactuam com essa opinião oca e desumana é que verdadeiramente são, uma vez que optam ver apenas o que querem.
As pessoas do “meio” – pelo menos na sua maioria –, só pedem por respeito! O que para os Patriarcas do Preconceito parece totalmente impossível.
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As dores internas que sinto são tão verossímeis e tão grandes que mais parecem dores físicas. A ideia de que a solidão será minha eterna companheira, me aflige o tempo inteiro. Os meus medos exalam! Meus sentimentos de tristeza são externados a toda hora, sejam em minhas ponderações ou num simples bate papo com os amigos.
É difícil escutar, do próprio pai, a comparação de que homossexual é igual a um bandido: “não se nasce assim, se transforma, se envolve com a coisa!”. Essas palavras machucam demais. Fere-nos como a pior dentre as moléstias.
Eu sei que não é algo fácil de depreender – da mesma forma que não é para nós mesmos – mas acho que não custa tentar indagar outras possibilidades ou o mais cabível: estudar – sem medo nem vergonha – sobre o assunto, e deixar de lado as ideologias infundadas, os pensamentos imersos na lama da ignorância e, principalmente, a visão limitada que não os permite dar um passo adiante em território desconhecido.
É preciso lançar mão desses conceitos errôneos insuflados pela arrogância e prepotência, e atentar-se para uma realidade: a homossexualidade existe! E não se trata de anomalia, doença, nem de transgressão aos princípios basilares de qualquer instituição religiosa e, menos ainda, desrespeito às leis de Deus.
Da mesma forma que Deus – em sua onipotência e onipresença – criou o branco, o preto, o amarelo e o vermelho; o tailandês, o nova-iorquino, o búlgaro e o chileno; criaturas ora de olhos puxados, cabelos lisos ou crespos, louros ou acastanhados, ora pernas longas e canelas finas, coxas espessas e/ou seios protuberantes, ora surdos-mudos ou estrábicos, feios e bonitos e assim sucessivamente... criou, também, os [homens e mulheres] homossexuais, heterossexuais e bissexuais.
Não há na humanidade, apesar da similitude, um único ser congênere ao outro. Então, descriminar por quê?
É necessário ambientar-se ao diferente, ao novo. Se não puder aceitá-lo, sugiro que ao menos o respeite na sua forma de agir e pensar. Caso contrário, um caos se formará, e tristeza e desalento acometerão a muita gente. Por isso, não critique maldosamente, não xingue e nem hostilize a ninguém gratuitamente. Homossexual ou não. Somente dessa maneira é que encontraremos a paz e, daí então, a dignidade de todos estará para sempre preservada.
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Pensatas:
Quando te dispuseres a reclamar contra certos traços psicológicos daqueles que o senhor te confiou ao ministério familiar, medita na diversidade das criações que compõem a natureza.
Também nós, criaturas de Deus, somos seres que se identificam pela semelhança, mas não somos rigorosamente iguais.
Chico Xavier (por Emanuel).

Rapaz, este foi de fato um desabafo? Imaginei você em um palanque falando tudo isso para tentar instruir pais que tem os olhos tapados por uma cultura preconceituosa e que por isso deixam de desfrutar da agradaval companhia de seus filhos homossexuais.Uma triste verdade que vemos por aí, ous eria uma triste ilusão, sei lá. Como disse, não é escolha, embora, numa tentativa de ter mente super aberta, se fosse escolha, acho que todos deveriam, escolher serem bissexuais, um amor que pode ser distribuido a todos está longe de parecer feio.
ResponderExcluirVocê sabe que, estar num palanque para falar sobre o assunto, não é má ideia. Pena que para mim ainda não é um tão fácil tratar sobre, talvez porque tenho que (querendo ou não) falar sempre às escuras, sobre o assunto.
ResponderExcluirSimplesmente amei
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