quarta-feira, 27 de abril de 2011

Homossexualidade x Preconceito e Ignorância

Às vezes fico me perguntando como o preconceito das pessoas não permite que elas enxerguem a realidade dos fatos – mesmo diante dos próprios olhos. Muitas delas pensam que nós é que optamos pelo mais difícil. Acreditam entusiasticamente que somos nós mesmos que temos livre escolha ao decidir ser homossexual, ou não. Livre escolha na DECISÃO da sexualidade? É algo seguramente inacreditável. Insistem em acreditar que optaríamos em ser execrados, malquistos e banidos de nossa sociedade. Será que não enxergam que esta é uma sexualidade cheia de formas complexas? Uma sexualidade que tem prazer em nos conferir desalento, solidão e uma verdadeira porção de transtornos psicológicos, crises de identidade e de existência?

Você acredita nisso? Acredita quando digo que a homossexualidade nos transfere toda essa dor e sofrimento? Se acredita, não deveria! Pois é equívoco meu. Não é a homossexualidade que tem o poderio de nos ceder essa lastimável situação de vida! Mas sim as pessoas que aplaudem de pé a Santa Ignorância, ou os obstinados que insistem em tapar os olhos para a ‘realidade verdadeira’. É culpa da falta de conhecimento, da falta de instrução, e é culpa do preconceito, também. As pessoas precisam tomar consciência de que “minha sexualidade” eu não escolho como quem decide o que comer, onde comer, e a que hora comer. Sexualidade não é decisão, não é opção – como, aliás, costumam definir –, é condição! Não se decide... se nasce homossexual!

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Outra coisa que essa gente de pensamento tacanho não discerne é que o homossexual não é apenas sexo. Eles tem por hábito, associar o gay apenas à prática sexual, quando na verdade vai muito além disso. Não conseguem imaginar o homossexual como uma pessoa que ama e tem sentimentos. Preferem bradar o seu desrespeito, a sua indiferença, a sua incredulidade dizendo que os homossexuais são sujos e depravados. Quando, na verdade, os que compactuam com essa opinião oca e desumana é que verdadeiramente são, uma vez que optam ver apenas o que querem.
As pessoas do “meio” – pelo menos na sua maioria –, só pedem por respeito! O que para os Patriarcas do Preconceito parece totalmente impossível.

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As dores internas que sinto são tão verossímeis e tão grandes que mais parecem dores físicas. A ideia de que a solidão será minha eterna companheira, me aflige o tempo inteiro. Os meus medos exalam! Meus sentimentos de tristeza são externados a toda hora, sejam em minhas ponderações ou num simples bate papo com os amigos.
É difícil escutar, do próprio pai, a comparação de que homossexual é igual a um bandido: “não se nasce assim, se transforma, se envolve com a coisa!”. Essas palavras machucam demais. Fere-nos como a pior dentre as moléstias.
Eu sei que não é algo fácil de depreender – da mesma forma que não é para nós mesmos – mas acho que não custa tentar indagar outras possibilidades ou o mais cabível: estudar – sem medo nem vergonha – sobre o assunto, e deixar de lado as ideologias infundadas, os pensamentos imersos na lama da ignorância e, principalmente, a visão limitada que não os permite dar um passo adiante em território desconhecido.
É preciso lançar mão desses conceitos errôneos insuflados pela arrogância e prepotência, e atentar-se para uma realidade: a homossexualidade existe! E não se trata de anomalia, doença, nem de transgressão aos princípios basilares de qualquer instituição religiosa e, menos ainda, desrespeito às leis de Deus.
Da mesma forma que Deus – em sua onipotência e onipresença – criou o branco, o preto, o amarelo e o vermelho; o tailandês, o nova-iorquino, o búlgaro e o chileno; criaturas ora de olhos puxados, cabelos lisos ou crespos, louros ou acastanhados, ora pernas longas e canelas finas, coxas espessas e/ou seios protuberantes, ora surdos-mudos ou estrábicos, feios e bonitos e assim sucessivamente... criou, também, os [homens e mulheres] homossexuais, heterossexuais e bissexuais.
Não há na humanidade, apesar da similitude, um único ser congênere ao outro. Então, descriminar por quê?
É necessário ambientar-se ao diferente, ao novo. Se não puder aceitá-lo, sugiro que ao menos o respeite na sua forma de agir e pensar. Caso contrário, um caos se formará, e tristeza e desalento acometerão a muita gente. Por isso, não critique maldosamente, não xingue e nem hostilize a ninguém gratuitamente. Homossexual ou não. Somente dessa maneira é que encontraremos a paz e, daí então, a dignidade de todos estará para sempre preservada.

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Pensatas:



Quando te dispuseres a reclamar contra certos traços psicológicos daqueles que o senhor te confiou ao ministério familiar, medita na diversidade das criações que compõem a natureza.



Também nós, criaturas de Deus, somos seres que se identificam pela semelhança, mas não somos rigorosamente iguais.



Chico Xavier (por Emanuel).

3 comentários:

  1. Rapaz, este foi de fato um desabafo? Imaginei você em um palanque falando tudo isso para tentar instruir pais que tem os olhos tapados por uma cultura preconceituosa e que por isso deixam de desfrutar da agradaval companhia de seus filhos homossexuais.Uma triste verdade que vemos por aí, ous eria uma triste ilusão, sei lá. Como disse, não é escolha, embora, numa tentativa de ter mente super aberta, se fosse escolha, acho que todos deveriam, escolher serem bissexuais, um amor que pode ser distribuido a todos está longe de parecer feio.

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  2. Você sabe que, estar num palanque para falar sobre o assunto, não é má ideia. Pena que para mim ainda não é um tão fácil tratar sobre, talvez porque tenho que (querendo ou não) falar sempre às escuras, sobre o assunto.

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