quinta-feira, 21 de abril de 2011

Diário: Dossiê Doce Eu

Eu sempre me questionei demais se deveria escrever num diário. Questionava o porquê, também. Sempre soube do risco que correria, mas, agora, não abro mão de tê-lo.

Fico imaginado... ter segredos inconfessáveis, pensamentos indiscretos, alguns dados que me provem relapso na grafia e tantas outras coisas expostas e suscetíveis às pessoas. Sim, às pessoas! Afinal, quem dirá que o presente documento, que porta fatos e circunstâncias da intimidade da minha vida e que antes eram mantidas latentes, não seja possivelmente encontrado por um outro alguém, num futuro nem tão distante assim?

Posso afirmar com certeza que a curiosidade dos meus familiares alimentou esse meu temor em escrever e possuir um diário onde eu pudesse dar vazão às minhas ânsias, e confidenciar minhas mais opacas entrelinhas do pensamento.

Fico intrigado me perguntado: já pensou se o descobrissem?Penso que seria meu fim... Besteira! Mas e se soubessem que os meus ditos nem sempre correspondem aos fatos? Que minhas concepções nem verossímeis sempre são? Acho que diriam que meus pensamentos, por diversas vezes intrincados, são sujos e depravados. Hostilizariam minhas indagações e a condição com a qual fui concebido. Essa invasão dentro do meu eu... Eu jamais suportaria! Esse possível furto da minha intimidade, em todos os prospectos falando, me deixaria possesso, certamente. Espero que nunca aconteça. Não vou pagar para ver, mas meu diário eu vou tecer. Abraços carinhosos!

Um comentário:

  1. Rapaz, você falou algo que sempre questiono comigo, mas nunca escrevi. Sobre esta defesa e separação do pensamento e nossas ações, defendo até o ultimo instante o direito de todos falarem, pensarem e escreverem o que querem, sem terem que ser julgados por isso. O que interessa aos outros são nossas ações e como nos comportamos com eles. Parabéns. Bela indagação e escreva mais, sempre mais.

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