Intróito
O texto que você lerá abaixo, amigo leitor, na verdade não passa da exteriorização de um dos sentimentos que me acompanhou a vida toda: a de que eu sempre estive sozinho! Eu nunca imaginei que um dia eu fosse divulgar ou dividir essas coisas tão particulares, tão íntimas com alguém. E menos ainda que fosse assim de forma tão ampla, tão enormemente aberta a um grande público. É verdade que são poucas as pessoas que leem* e tem* acesso a estes segredos, a estes Desejos Inconfessáveis... mesmo assim, estão abertos para que qualquer pessoa a qualquer momento veja e saiba sobre tudo o que diz respeito tão-somente a mim. Mas como tudo na minha vida – ou, quase tudo – sempre que sinto vontade de fazer alguma coisa, eu faço. E é por isso exponho para vocês, um pouco sobre este grão de areia na imensidão do universo... Boa leitura!
* É horrível essa nova Gramática. Não me habituo.
...
Não há belo sentimento que preencha o vazio profundo em que me encontra o peito no atual instante. Em questão de minutos, os meus pais me roubaram a vontade de viver, cuspiram minha alma pura e doce no cesto dos desonrados, no poço dos vermes indecorosos... torpes!
Escuridão, tristeza, desalento... Sou todo eu agora!
Apresentaram-me às trevas dos corações seus.
Talvez eles preferissem ter um filho demente, ou suicida, ou jogado à imundície das mais torpes misérias humanas...
Talvez eles não preferissem. Talvez eles merecessem!
Homossexualidade não é o que vocês pensam. Será que não entendem isso? Eu não escolhi ser assim... Diferente. Jamais optaria por isso. Ser execrado, torturado, malquisto, malvisto. Quem é idiota o bastante para almejar esse monstruoso oceano de infelicidade?
Olhem para os meus olhos. Eles pedem e sempre pediram por socorro. Um pedido silencioso, mas não pouco aflito, e que toda a vida vocês se negaram escutar.
O choro pouco minguado da criança...
Os impropérios proferidos pelos colegas de classe...
A dor e o sofrimento por SER alguém com quem você não se identifica...
Tudo isso vez parte de mim. Mas vocês nunca souberam. E nem nunca hão de saber. Jamais saberão por que se negam veementemente em enxergar o que é tão óbvio. Porque se negam aceitar tudo o que foge do comum, tudo o que foge dos olhos seus.
Mas saibam de uma coisa: há muito passou a autocomiseração que sentia... hoje eu sinto pena é de vocês! E dessa ignorância que insistem obstinadamente em cultivar dentro de si. Ignorância essa que gera apenas sofrimento, dor, mágoa... Pra vocês e pra mim.
Uma coisa é certa: mudem vocês a concepção ou não; a minha sexualidade jamais será mudada. Aceitem ou não aceitem: foi Deus quem me vez assim!
Sem mais.
...

Poxa, é uma extensão do anterior, porém, parece ter sido escrito diretamente aos seus pais. Imagino quanta dor não foi tudo isso, e saiba que compreendo tudo, porque comigo também foi assim. Não gosto nem de lembrar dos momentos ruins. é tanta dor que jogam no mundo que fica dificil nos reerguermos, mas sei lá, ponto para reflexão.
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